Perdido nos resultados, desorientado no discurso e pressionado por uma realidade que já ninguém consegue esconder, o PSD Açores começou a ensaiar a estratégia que levará até às próximas eleições, em três atos: desculpabilizar, vitimizar e meter medo.
I. Desculpabilizar, antes de mais. Para os seus responsáveis, não há responsabilidade do Governo Regional de José Manuel Bolieiro, que governa há quase seis anos. Nem pelo aumento da dívida, nem pela quebra do turismo, nem pelas listas de espera na saúde, nem pela fraca execução dos fundos comunitários. Tudo continua a ser culpa do passado. O problema é que, ao fim de seis anos, o passado já não chega para explicar o presente.
II. Depois, a vitimização. A plataforma dos reembolsos não funciona? A culpa é do Governo da República. Há atrasos de pagamentos a agricultores, IPSS ou empresas? A culpa é da Lei de Finanças Regionais. A economia abranda? A culpa é do contexto internacional. Tudo serve para evitar assumir responsabilidades. Governar não é apontar para fora. É resolver.
III. E, por fim, o medo. Os açorianos são confrontados com fantasmas: que vão perder direitos, que lhes vão tirar medidas, que tudo está em risco. Curiosamente, quando se pede um balanço de seis anos de governação, sobram duas ou três medidas repetidas até à exaustão. Talvez porque o resto não resiste ao confronto com a realidade.
A verdade é simples. O falhanço desta governação sente-se no dia a dia dos açorianos. E quando isso acontece, não é com desculpas nem com alarmismo que se responde. É com mais seriedade, mais humildade e mais capacidade de ação.
Quando a Europa é atacada por dentro
Ao mesmo tempo, há sinais preocupantes na Europa que não podem ser ignorados. Em França, autarcas da extrema-direita começaram a retirar bandeiras da União Europeia das suas câmaras municipais. Um gesto simbólico, mas politicamente revelador.
É fácil rejeitar a Europa quando se quer fazer política com ressentimento. Mais difícil é reconhecer que muitos desses territórios beneficiaram diretamente de fundos europeus, de investimento e de oportunidades que a União proporcionou.
Estes movimentos não são isolados. São parte de uma estratégia mais ampla de desvalorização do projeto europeu, alimentada por forças políticas que também têm expressão em Portugal. Quem acha que isto não nos diz respeito está enganado.
Quem acredita na União Europeia sabe o que ela representa. Paz, desenvolvimento, mobilidade, investimento e coesão. É a construção política que mais transformou positivamente a vida dos europeus nas últimas décadas. Por isso, não pode haver ambiguidades. Quem vota em forças políticas que atacam o projeto europeu está também a dar força a este tipo de agenda. E seria importante que, a nível regional, nacional e europeu, o PSD não compactuasse com estes sinais nem normalizasse aquilo que põe em causa valores fundamentais.
Obsessão e sectarismo
Para quem não sabe, as votações no Parlamento Europeu têm um registo público. Quem perde tempo com politiquices, esquece-se que a mentira tem perna curta e que a obsessão, mesmo em grau avançado, tem remédio.
Vivemos tempos exigentes, dentro e fora da Região. É precisamente por isso que importa manter o foco no essencial: respostas concretas, responsabilidade política e respeito pelas pessoas.
Nesta altura especial do ano, deixo uma palavra simples a todos os açorianos: uma Páscoa feliz, em família, com saúde e esperança num futuro melhor.